O Dilema de Fim de Ano Que Ninguém Fala (Mas Todo Mundo Enfrenta)
Olha, vou começar sendo honesta: fim de ano aperta. Então, entre presentes, viagens, festas, contas extras de janeiro, muita gente se vê numa encruzilhada. Portanto, a grande questão é: resgatar investimento ou fazer empréstimo para cobrir esses gastos?
Além disso, essa não é uma decisão fácil porque mexe com dois medos ao mesmo tempo. Consequentemente, de um lado você tem medo de “quebrar” seus investimentos que custou tanto construir. Do outro, tem medo de entrar em dívida e pagar juros absurdos. Logo, qual é a menos pior?
Entretanto, a resposta não é preto no branco. Dessa forma, vou te mostrar quando faz sentido resgatar, quando faz sentido tomar empréstimo, e quando nenhuma das duas é a melhor opção. Portanto, prepare-se para uma análise sem julgamento, só com números reais e decisão consciente.
O Custo Real de Resgatar Seus Investimentos
Primeiramente, vamos entender quanto você realmente perde ao resgatar investimentos antes da hora. Então, não é só sobre tirar o dinheiro. É sobre perder rentabilidade futura e, em alguns casos, pagar multas.
Cenário 1: Tesouro Selic (Liquidez Diária)
O que acontece: Você pode resgatar qualquer dia útil sem grandes perdas. Portanto, se você tem R$ 5.000 no Tesouro Selic rendendo 15% ao ano, pode tirar quando quiser.
Custo real:
- Perda de rentabilidade futura: R$ 62,50 por mês que você deixou de ganhar
- Sem multa ou taxa extra
- IR conforme tabela regressiva (até 22,5% se menos de 6 meses, 15% acima de 2 anos)
Consequentemente, o custo é basicamente o que você deixa de ganhar dali para frente. Logo, se você vai precisar do dinheiro mesmo, o impacto é relativamente baixo.
Cenário 2: CDB Com Prazo (Sem Liquidez)
O que acontece: Se você resgatar antes do vencimento, pode perder parte ou toda a rentabilidade. Então, muitos CDBs simplesmente não permitem resgate antecipado.
Custo real:
- Alguns bancos permitem resgate com perda total dos juros
- Outros cobram multa + perda de parte da rentabilidade
- Você pode receber menos do que investiu inicialmente
Portanto, resgatar CDB sem liquidez é a pior opção financeiramente. Além disso, você literalmente joga dinheiro fora.
Cenário 3: Ações e FIIs (Renda Variável)
O que acontece: Você pode vender quando quiser, mas o preço pode estar ruim. Então, se o mercado caiu 10%, você vende no prejuízo.
Custo real:
- Prejuízo imediato se vender na baixa
- Perda de dividendos futuros
- IR de 15% sobre o lucro (se tiver lucro)
- Taxa de corretagem em alguns casos
Consequentemente, vender ações ou FIIs para gastos de fim de ano só faz sentido se o mercado estiver em alta e você tiver lucro bom. Logo, não é sobre precisar, é sobre timing.
Cenário 4: LCI/LCA (Carência de 90 Dias)
O que acontece: Você simplesmente não consegue resgatar antes da carência. Portanto, se você aplicou há 2 meses, está presa por mais 1 mês.
Custo real:
- Impossível resgatar = não é nem opção
Logo, se você tem dinheiro em LCI/LCA e está dentro da carência, nem adianta considerar resgatar. Dessa forma, você já sabe que precisa buscar alternativa.
O Custo Real de Fazer Empréstimo
Agora vamos para o outro lado da moeda. Então, quanto realmente custa tomar dinheiro emprestado? Portanto, vou te mostrar os custos de cada tipo de empréstimo:
Empréstimo Pessoal em Banco (O Mais Comum e Mais Caro)
Taxas médias:
- Juros entre 3% a 8% ao mês (sim, ao MÊS)
- Anualizando: 42% a 151% ao ano
- IOF de até 3,38% sobre o valor
Exemplo prático: Você pega R$ 5.000 emprestados a 5% ao mês por 12 meses:
- Parcela mensal: R$ 556
- Total pago: R$ 6.672
- Juros pagos: R$ 1.672
Portanto, você paga R$ 1.672 de juros para usar R$ 5.000. Além disso, isso é quase 34% de juros totais. Logo, é MUITO caro.
Empréstimo Consignado (Desconta na Folha)
Taxas médias:
- Juros entre 1,5% a 2,5% ao mês
- Anualizando: 19% a 34% ao ano
- Sem IOF em muitos casos
Exemplo prático: R$ 5.000 emprestados a 2% ao mês por 12 meses:
- Parcela mensal: R$ 471
- Total pago: R$ 5.652
- Juros pagos: R$ 652
Consequentemente, você paga R$ 652 de juros. Logo, bem menos que empréstimo pessoal, mas ainda é caro. Entretanto, se você é CLT e tem essa opção, é melhor que banco tradicional.
Cheque Especial (A Pior Opção Que Existe)
Taxas médias:
- Juros de 8% a 12% ao mês
- Anualizando: 151% a 289% ao ano
Exemplo brutal: R$ 1.000 no cheque especial por 3 meses a 10% ao mês:
- Dívida final: R$ 1.331
- Juros pagos: R$ 331 em apenas 3 meses!
Portanto, cheque especial é NUNCA. Então, antes disso, vende até o rim (brincadeira, mas é quase isso de ruim). Logo, evite a todo custo.
Cartão de Crédito Parcelado (Com e Sem Juros)
Parcelamento sem juros:
- Custo zero de juros
- Você só divide o valor
- Melhor opção se disponível
Parcelamento com juros (rotativo):
- Juros de 10% a 15% ao mês
- Pior que empréstimo pessoal
- Bola de neve garantida
Consequentemente, parcela no cartão SEM juros é excelente alternativa. Entretanto, cuidado com o rotativo que é tão ruim quanto cheque especial.
A Matemática Brutal: Comparação Direta
Agora vou colocar lado a lado para você ver com números reais quando cada opção faz sentido. Então, considere que você precisa de R$ 5.000 para gastos de fim de ano:
Opção 1: Resgatar Tesouro Selic
Custo:
- Perda de rentabilidade: R$ 750 ao ano (15% de R$ 5.000)
- Impacto: Você deixa de ganhar R$ 750 no próximo ano
Quando faz sentido: Se você tem certeza que vai repor esse dinheiro em janeiro/fevereiro. Portanto, você só “pausa” o investimento por 2-3 meses. Além disso, se você não vai poder pagar empréstimo confortavelmente, é menos arriscado.
Opção 2: Empréstimo Pessoal (5% ao mês)
Custo:
- Juros pagos: R$ 1.672 em 12 meses
- Impacto: Você paga R$ 1.672 a mais
Quando faz sentido: NUNCA. Portanto, os juros são tão altos que compensaria mais resgatar até CDB com perda de rentabilidade. Logo, só considere se literalmente não tem outra opção.
Opção 3: Empréstimo Consignado (2% ao mês)
Custo:
- Juros pagos: R$ 652 em 12 meses
- Impacto: Você paga R$ 652 a mais
Quando faz sentido: Se seus investimentos estão rendendo acima de 2% ao mês (24% ao ano ou mais). Então, se você tem dinheiro em FIIs bons ou ações que valorizam, vale a pena manter investido e pegar consignado. Consequentemente, você continua ganhando nos investimentos enquanto paga o empréstimo.
Opção 4: Parcelar Sem Juros no Cartão
Custo:
- Zero juros
- Impacto: Apenas comprometimento do limite por alguns meses
Quando faz sentido: SEMPRE que disponível. Portanto, se a loja oferece 12x sem juros, é infinitamente melhor que resgatar investimento ou fazer empréstimo. Logo, essa é a opção ideal quando possível.
A Estratégia Inteligente: Híbrida
Agora vou te mostrar uma estratégia que poucos falam, mas que funciona muito melhor. Então, ao invés de escolher só uma opção, você combina várias:
Exemplo prático: Você precisa de R$ 5.000 para gastos de fim de ano:
R$ 2.000 – Parcela sem juros no cartão: Compre presentes e itens que podem ser parcelados. Portanto, 12x de R$ 167 sem juros.
R$ 1.500 – Resgata Tesouro Selic: Tira essa parte que tem liquidez. Consequentemente, você usa do que já é seu sem grandes perdas.
R$ 1.000 – Ajusta orçamento: Corta gastos supérfluos em novembro e dezembro. Logo, economiza esse valor.
R$ 500 – Usa parte do 13º: Se você recebe 13º salário, separa essa parte. Portanto, você não fica completamente sem o extra.
Dessa forma, você resolve o problema SEM fazer empréstimo caro E sem quebrar totalmente seus investimentos. Além disso, você espalha o impacto, tornando tudo mais gerenciável.
Quando NUNCA Resgatar Investimentos
Olha, tem situações em que resgatar é simplesmente burrice financeira. Então, mesmo que você precise muito do dinheiro, busque outras alternativas:
Nunca resgate se:
- Está dentro de carência (LCI/LCA) = você nem consegue
- Tem CDB sem liquidez = você perde tudo de rentabilidade
- Ações/FIIs estão em queda de 10% ou mais = você vende no prejuízo
- É sua única reserva de emergência = você fica desprotegida
Portanto, nesses casos, é melhor negociar com família (pedir emprestado sem juros), fazer bico/freela para ganhar extra, ou até vender itens que você não usa. Logo, criatividade compensa mais que decisões precipitadas.
Quando NUNCA Fazer Empréstimo
Da mesma forma, tem empréstimos que são cilada garantida:
Nunca faça:
- Cheque especial (juros de 8-12% ao mês)
- Rotativo do cartão (juros de 10-15% ao mês)
- Empréstimo pessoal acima de 5% ao mês
- Empréstimo com agiota (isso nem deveria precisar falar)
Consequentemente, se a única opção é uma dessas, REPENSE seus gastos. Portanto, talvez você não precise de tudo que está planejando. Além disso, cortar gastos dói menos que pagar esses juros.
A Terceira Via: Não Gastar Tanto
Por fim, vou te falar uma verdade que ninguém quer ouvir: talvez você não precise de tudo que está planejando gastar. Então, antes de decidir entre resgatar investimento ou fazer empréstimo, pergunta para si mesma:
Eu realmente PRECISO disso?
- A viagem cara ou uma viagem mais simples resolve?
- Presentes caros ou presentes significativos fazem diferença?
- Festa grande ou reunião intimista é o que importa?
Portanto, muitas vezes a melhor decisão financeira é simplesmente gastar menos. Consequentemente, você não precisa resgatar nem pegar emprestado. Logo, seu futuro financeiro agradece.
Reflexão importante: Nenhum presente, viagem ou festa vale você começar 2026 endividada ou sem investimentos. Então, pensa bem no custo-benefício real. Dessa forma, você toma decisão consciente, não emocional.
Se você quer realmente entender como tomar decisões financeiras inteligentes e evitar armadilhas emocionais com dinheiro, eu super recomendo o livro “Psicologia Financeira” de Morgan Housel. Portanto, compre na Amazon e aprenda a tomar decisões racionais mesmo sob pressão. Dessa forma, você para de cometer erros caros em momentos críticos como fim de ano.
Sua Decisão em 5 Perguntas
Para finalizar, responda essas 5 perguntas para saber o que fazer:
1. Você consegue parcelar sem juros no cartão? Se sim → Faça isso e pronto. Melhor opção sempre.
2. Seus investimentos têm liquidez diária? Se sim e você vai repor em 2-3 meses → Pode resgatar sem grandes perdas.
3. Você tem consignado com juros abaixo de 2% ao mês? Se sim e seus investimentos rendem mais que isso → Consignado compensa.
4. Você REALMENTE precisa de todo esse dinheiro? Se não → Corte gastos e resolva com menos.
5. Suas únicas opções são empréstimo caro ou resgatar com grande perda? Se sim → Repense os gastos urgentemente. Consequentemente, talvez não seja o momento.
A Verdade Sem Filtro
Olha, a pergunta “resgatar investimento ou fazer empréstimo” não deveria nem existir. Então, se você está nessa situação, provavelmente faltou planejamento. Portanto, não estou julgando (já passei por isso), mas é importante reconhecer.
Entretanto, o importante agora é tomar a melhor decisão possível com a situação que você tem. Logo, usa as informações que te dei, faz as contas, e escolhe a opção que menos prejudica seu futuro.
Além disso, aprende com isso para 2026. Consequentemente, ano que vem você se prepara com meses de antecedência e não passa por esse aperto de novo. Dessa forma, fim de ano vira prazer, não pesadelo financeiro.
A decisão é sua. Mas agora você tem os números para decidir com a cabeça, não com a emoção.
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